O açaí, fruto símbolo da Amazônia, está conquistando mercados cada vez mais distantes. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Frutas (Abrafrutas) mostram que as exportações do produto cresceram 34% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os principais destinos são os Estados Unidos, que absorvem cerca de 40% do volume exportado, seguidos por países europeus como Alemanha, França e Holanda. Mais recentemente, mercados asiáticos como Japão, Coreia do Sul e China também começaram a demonstrar interesse crescente pelo produto.
"O açaí virou um superalimento global. A demanda está crescendo em ritmo que mal conseguimos acompanhar", diz o empresário Carlos Mendes, dono de uma processadora de açaí em Belém que exporta para 18 países.
O crescimento das exportações está transformando a economia de municípios paraenses. Em Marapanim, Tomé-Açu e Abaetetuba, o cultivo do açaizeiro se expandiu significativamente, gerando renda para milhares de famílias de agricultores familiares.
Mas o boom exportador também traz desafios. Pesquisadores alertam para o risco de monocultura e para a necessidade de garantir que o crescimento do setor não comprometa a biodiversidade das várzeas amazônicas onde o açaizeiro cresce naturalmente.
A Embrapa Amazônia Oriental está desenvolvendo variedades mais produtivas e resistentes do açaizeiro, que possam atender à demanda crescente sem pressionar os ecossistemas naturais. Os primeiros resultados dos experimentos devem ser divulgados ainda este ano.